
Quanto mofo nesta virtualidade. Não por meu descuido ou falta de vontade, que fique claro. Ah... me gosto mais quando escrevo. Pessoas me redescobrem ao me ler, aconteceu diversas vezes. Os comentários eu coleciono na memória, mas um destaco agora: “Gi, você escrevendo é clara e serena” (bem diferente da versão 3D, é o que posso intuir). Outro bem oportuno, de alguém então muito, muito presente na minha vida: “li seus textos e me dei conta de que nunca te ouvi”. E aquele do amigo há 14 anos: “que pretensão alguém achar que te conhece”.
Sim, se trata de um retorno “umbiguista” feito outros, porque de novo me acumulei demais. “Orai e vigiai sem cessar”, dizia São Paulo. “Use Cepacol diariamente e visite seu dentista regularmente”. Tudo, tudo nessa vida segue a lógica da manutenção. Não posso me acumular, eu sei e sei. Escrever sempre, ainda não aprendi? Essa mania de engolir tudo pra vomitar de uma vez.. De novo a sutileza de existir num mundo físico em que todo corpo tende ao repouso, mas o tempo não pára.
A ordem do dia é entender melhor as conseqüências de meus passos. Quase sempre me parece fácil sair correndo, me sobra fôlego e energia para disparar, e até aí nada de errado. De repente me canso, e me vejo de novo sozinha. Ontem me senti assim, e aí lembrei de um post-desabafo, de dezembro de 2005, de título “marido sem lágrimas”, autoria da Helô, mulher que se sabe mulher, poderosa e eficiente. Transcrevo abaixo:
"vontade de chorar, mas cadê as lágrimas?
assim como no samba, queria desabafar o que sinto no peito e não posso dizer. ok, posso escrever.
quero um marido cuidando de mim."
Até ontem esse era o tipo de confissão de me provocar calafrios. Pura afetação de balzaquianas inconsoláveis que não descobriram como se amar e se completar. Ok, eu me amo, me sinto completa e ontem me descobri uma balzaquiana inconsolável – e afetada.
No melhor estilo mulher almodovariana, cabelos presos no alto da cabeça, blusa e unhas vermelhas, ontem borrei a maquiagem dos olhos porque eu quero um marido cuidando de mim.
