quinta-feira, janeiro 11, 2007

Guimarães e amores, insônia e incenso

Já em casa (sem sono, pra variar). Papo de madrugada com a Santa Helô no msn sobre Grande Sertão: Veredas. Acabei pegando o livro e relendo grifos antigos.

"Comigo, as coisas não têm hoje e ant'ôntem amanhã: é sempre. Tormentos.
(...) relembrando minha vida para trás, eu gosto de todos, só curtindo desprezo e desgosto é por minha mesma antiga pessoa".

Não é à toa que os homens da minha vida sejam todos santos. Faz tempo que não me sobra tempo para condená-los. Quase uma santa... É que eu percebi que autoflagelo é mais produtivo. Faz andar.

Estou lembrando de outro papo (não mais com a Helô). Ele me disse que eu fui suicida, que não lutei por meus amores. Mas eu olho daqui os meus amores e me prefiro sem eles, sem a parte que os amou. Aquela que foi carcomida, que apodreceu, que também morreu.

Preciso dormir. Faz dias que não tomo café, mas meu organismo anda muito distraído e ainda não se deu conta disso.

Em tempo: terceira noite de "incensada" na redação. E o Rio de Janeiro continua uma Varsóvia de tranqüilidade... Os incensos estão virando lenda. Pedidos já para que sejam acendidos todas as noites.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Solange Frazão da Índia

Primeira aula de ioga do ano. Muitos exercícios de purificação, limpeza dos chacras, vibrações de lam, vam, ram, ham... Relaxamento, respiração e muita concentração. Na aula de 14h45, eu era a única aluna, então tive aquela atenção especial da professora, que, no final, ainda me vendeu uns incensos muito bons: de cereja e gengibre (paz, equilíbrio e força interior) e de flor de pitanga (vitalidade, prazer e afeição). Saí da aula e passei no Mundo Verde, que fica bem em frente.

Estou falando tudo isso porque recebi um e-mail da Déia ontem. Ela me dizia:

"Não gosto qd vc exagera no estilo zen: qd so sabe falar de Aloe Vera e meditação. Tudo bem, eh legal se cuidar, mas dar uma de Solange Frazão da Índia não dá".

A crítica fazia parte de um jogo que propus ontem. A brincadeira consiste em cada uma falar tudo o que incomoda na outra.

Pois eu respondi:

"Sobre meu estilo zen, não acho que exagere nele de modo específico. Sou obcecada com muitas coisas e minhas 'novidades' sempre me tornam repetitiva, porque eu me empolgo e não páro de falar delas. Pra ficar mais gatinha, eu precisaria calar minha boca, de um modo geral.
(...)
Você é muito mandona."


Autocrítica também é fundamental.

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Resta Um
Mais uma demissão em massa no jornal. Só na minha editoria, cortaram mais 4 cabeças (um outro cara, que entrou comigo, já tinha ido embora antes do Natal).

Quando deu meia-noite, acendi o incenso de flor de pitanga na redação, com a aprovação dos "coleguinhas" (eu tenho pavor dessa expressão). Uma purificada no ambiente caía bem. A repórter de cidade, que tava na escuta hoje, pediu um só pra ela, pra ficar do lado do rádio com a freqüência da polícia.

Fomos embora à uma da manhã. O Rio de Janeiro estava quase uma Varsóvia de tão tranqüilo. Ou a energização foi boa, ou o Cabral tá amedrontando a rapeize mesmo...

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Samurai-Zen
A ilustração acima é do Dés. O Goiaba, além de morar em Ipanema, comer ração de salmão e gozar com Radiohead, ainda tem pai artista.

Quem quiser ver mais ilustrações do Dés, pode visitar a Renderia. Como ele bem definiu, é "um puxadinho de idéias". Espero que tome vergonha na cara e faça logo o site. Material tem. Ô.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Goiaba



Na hora de definir uma legenda, me valho da sabedoria jornalística. Se fosse pobre, eu diria que é um meliante, tarado, psicopata. Mas como mora em Ipanema e come ração de salmão, é sensível e artista.

Cadê a cadeira que tava aqui? O gato comeu!

Uma fábula. O Dés viajou pra Salvador com a Beca e, gentilmente, deixou a chave do ap em Ipanema comigo, me salvando do que seria a grande furada do Réveillon: tentar voltar pra Niterói depois do plantão que terminava às 23hs.

Foram quatro dias, só eu e o Goiaba, o gato do Dés. Cheguei na sexta-feira 30. O bicho miava tanto que, depois de checar água, ração e terra 74 vezes, saí correndo do ap, me sentindo um fracasso como mãe de gato zona sul, e fui me encontrar com a Dê, o Di, o Bob e o Pedro, que estavam por ali, no Banana Jack.

Cervejas, conversas, teorias, divagações. Depois pizza, mar à noite, mais conversas, teorias e divagações, com brincadeira de chutar areia da praia. Adiamentos do meu reencontro com o gato.

Depois de miados estridentes durante duas madrugadas - sexta pra sábado e sábado pra domingo - acho que ele relaxou. De verdade. Porque na manhã de domingo, assistindo pela trolhogésima vez o clipe de Let Down, comecei a fazer carinho na barriga do Goiaba, que foi se arreganhando. Música rolando, reparo nos movimentos pélvicos do bichano, vejo aquela coisa vermelha ficando mais saliente, depois um troço branco na ponta da coisa vermelha. E, juro, juro, no último acorde, a gotinha cai na cadeira do computador. O Goiaba, de uma sensibilidade muuuuuuuuito maior que a minha, gozou com Radiohead. Gato de bom gosto e muito estáile esse...

terça-feira, janeiro 02, 2007

Desejo e sonho de sobra pra transformar ímpar em par

Naquele fim-de-ano de 2005 pra 2006, descobri que eu não era a única a ter expectativas em relação aos anos pares e receio quanto aos ímpares. A Déia e o Dés me contaram: depois de pararem pra fazer um balanço dos anos vividos, como eu eles constataram que os pares ganhavam em realizações, surpresas e momentos inesquecíveis.

2006 foi ano de autodescobertas importantes, de sujeiras cansadas da cobertura dos tapetes; de recolhimento mas também de aventuras. De receios que serviram para encorajar. Tempo de peito aberto pra vida, mas também de um olhar pra dentro. Inconstâncias e equilíbrios, estréias e mesmices. Amor nenhum e amores de sempre, amizades novas com cara de velhas, amigos antigos redescobertos, renovados, ressignificados e reinterpretados. Viagens, muitas viagens.

O último dia de 2006 foi um 31 de plantão no jornal até às 23h, de tensão pelos alertas da escuta na redação. Não confirmados carros queimados, comércios fechados e morros a serem invadidos. Sim, repórteres e fuzis. Rio de Janeiro de festas, de fogos e dos infernos. Mas também houve noite de luz em Ipanema, abraços antigos mais apertados, olhos de sempre nunca tão vistos, conversas repetidas para ouvidos transformados, mesmas teorias contadas com risos inéditos. Bocas misturadas, embebidas em beijos e vinhos.

Apelando pros salvadores clichês: 2006 vai entrar pra história. Resta agora fazer de 2007 um ano par. Pra isso, há desejo e sonho de sobra.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Da série "diálogos"

- Incenso não é coisa de cristão não.
- Ué, um dos reis magos não levou incenso de presente pelo nascimento de Jesus?
- Ah, mas o cheiro devia ser diferente.
- ...

quinta-feira, dezembro 28, 2006

mantra



Foi a trilha sonora pra alguns dos melhores momentos de 2006. Ele canta como se tivesse beijando na boca. E eu queria que fosse a minha boca.