sexta-feira, novembro 17, 2006

Na chuva com Van Gogh

Inaugurando imagens metanóicas.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Marias, Claras e Clarices

Ele é um cara bacana... mais que isso, muito mais, digo bacana só porque me prometi que hoje não vou escrever muito. Então, ele, que é mais que bacana, que é supimpa (pra usar essa que é das favoritas entre minhas gírias idosas ), ele disse que um dia vou ser mãe de uma menina chamada Maria Clara, e eu, que nunca havia pensado num nome de mulher, gostei desse. Com o primeiro namoro, ainda adolescente, vieram planos de casamento, família, filhos, todos aqueles sonhos mais fáceis de desejar (qual é a diferença entre sonho e desejo, assim, no aspecto semântico da vontade de realizar?) na adolescência, quando a possibilidade de concretização não dá medo precisamente porque distante. Pois então, filhos. No singular, na verdade. Apenas um, e macho! Escolhia nomes, Mateus no topo da lista, depois João. Eu e minha mania de santos, de anjos, porque o João bem que podia ser também Gabriel. Engraçado que isso mudou faz pouco tempo... não a mania de santos, ou anjos, não isso propriamente, mas a mania de macho. Vai ver antes não queria uma menina porque eu achava muito difícil lidar comigo mesma, porque na adolescência era mais fácil sonhar, desejar, como queira, mas não era fácil conviver com a minha intensidade, a minha angústia, a minha impulsividade, a minha bunda maior que a de todas as meninas da minha idade, maior que a das mais velhas também. Agora que não sou mais adolescente, que acho mais fácil conviver com os meus dramas e nádegas, curto a idéia de substituir os sagrados santos e anjos por uma bundudinha desse mundo, profana, no sentido sociológico do termo. Maria Clara... Ou só Clara, porque meu pai, que sabe da vida de todos os santos, e santas, ele hoje veio me dizer que Clara de Assis era parceirona de Francisco, primeira seguidora dele, e eu gostei, achei o nome forte, e eu nunca havia reparado direito, ou parado pra escutar, e repetir, Clara, Clara, Clara. Lembrei que sempre quando tenho medo de alguma coisa não dar certo eu penso que preciso ter calma, porque a vida não é tão grave assim, e que se der tudo errado, considerando os conceitos que as pessoas têm do certo e do errado, que se tudo der em nada, considerando o pavor que as pessoas têm do nada, do vazio que se parar pra pensar é bacana porque dá pra preencher de várias formas e nadas, se tudo for um grande eterno impreenchível, e se impreenchível for realmente ruim, então eu me torno alguém menos desse mundo, menos profana, no sentido sociológico do termo, e viro irmã franciscana. Na verdade eu roubei essa idéia da Déia, assim, com rima feia e tudo, mas agora acho que a idéia é minha, idéia que eu relaciono com aquelas palavras da Clarice, a Lispector, Clarice, Clarice, Clarice, Clara, Clara, Clara... aquelas palavras, que “a desistência é uma revelação”, que “solidão é não precisar”. Recolhimento por não precisar, antes de tudo, ou de mais nada, não precisar de tudo, nem de nada.

domingo, novembro 12, 2006

Eu perdi o meu medo, meu medo da chuva

Naquela manhã em que, de mochila nas costas e adeus nas mãos, orientei meus passos rumo ao aeroporto de Schiphol, de onde partiria com destino a Guarulhos, os cinco graus centígrados no termômetro me pareceram uma mística despedida. Desde minha chegada à Europa, três meses antes, cada cidade visitada me recebera com sol: Londres, Amsterdã, Paris, Porto, Amsterdã outra vez, Bruxelas, Paris novamente, Londres ainda, Amsterdã por fim. Dias chuvosos eram véspera da minha chegada ensolarada. A gente aprende a acreditar em uns mistérios bobos pra deixar a vida mais bonita... e nessa, o mundo acaba ganhando cor de verdade.

Os últimos dias na preferida Amsterdã foram de temperatura que oscilava entre 11 e 15 graus. O outubro mais quente em trezentos anos, disseram os noticiários. A minha alma brasileira, tão acostumada com o Rio de Janeiro, não se abalou com os oito graus da véspera da partida e a linda chuva de pedacinhos de gelo (da qual nos protegemos, Dani e eu, no café de Nieuwmarkt). “Eu perdi o meu medo, o meu medo da chuva”... e aprendi a ver beleza nela.

Quem reclama dessa garoa de ultimamente, agora, aqui, no Rio de Janeiro, não desconfia do bem que ela me faz. Feito a passagem do livro da infância, do Pequeno Príncipe de tantos clichês: “Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...”.

A chuva rega as ainda frescas lembranças de caminhadas pelas cores de Zeedijk, de cervejas em entorpecentes esquinas, de buzinas de bicicletas misturadas com o Radiohead dos meus tímpanos, dos canais e suas flores, de pedaladas na beira dos diques, docas e campos de ovelhas e vacas.

Olho pra minha janela, o verde das árvores continua a ser banhado de recordações. Bem ali, se forma a imagem de um sorriso, de uma criança que brinca de bola no pátio molhado enquanto espera sua mãe. É uma imagem atemporal, de uma felicidade passada, presente, porvir. Por ela, vale à pena viver, vale chover.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Da barba do profeta

Com tanta gente pra ter saudade, de vez em quando pipocam figuras inesperadas na lembrança. Hoje senti falta do Nehemias.

Nehemias, todo domingo de manhã, senta num dos últimos bancos daquela pequena igreja. Acho que ele faz isso pra ter certeza de que todos ouvirão seus comentários, ao mesmo tempo, acredito, pra desafiar, ver quem tem coragem de virar o pescoço e reprovar, ainda que com uma olhadela, suas provocações. Ele anda na casa dos 60 anos, é psiquiatra, criado em igreja protestante, reencarnacionista, discípulo de Yoganada e fã de Albert Einstein. Devo a ele, ao Edson também, minha maior tranqüilidade em relação à morte.

Tenho um jeito tão ingênuo de sentir o cristianismo que gosto de pedir colo ao pai que não vejo; acredito que um mistério assim, a morte, tão maior que minha meninice, só pode ser conhecido por Deus mesmo. Mas tenho um jeito tão cético de pensar o cristianismo que esqueço que deus existe - existe? deixa de existir! - que vivo tentando encontrar explicações para mistérios que, ainda!, não descobri.

Nehemias, quando quer expor suas teorias, sempre parte das palavras de Einstein, que resumiu o mundo e afirmou que tudo o que existe é energia; condensada ou dissipada, materializada ou livre. Fica fácil pensar a morte assim: quando eu morrer, me desmaterializo, minha energia se dissipa pra virar outra coisa qualquer e dar continuidade a esse mundo que, por acaso, funciona com a mesma água há bilhões (quem sabe de certeza?) de anos. "Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma" e blá, blá. Parando pra analisar, a lógica é muito humilde, e se é humilde também posso chamar de cristã. Muito cristão pensar que a gente é parte de algo muito maior. Importante parte, mas apenas uma parte.

Lembrei agora também da minha conversa com o Gui, no Louvre, dia desses. O cristianismo está lá pintado em quilômetros e séculos de quadros. Não sei que conflitos religiosos os autores cultivavam, se é que cultivavam, mas é certo que as histórias bíblicas serviram de inspiração para longos períodos. (Nota oportuna: já de volta a Amsterdam, ontem estive no Rijksmuseum pela terceira vez. Rembrandt era fissurado por temas cristãos, às vezes desenhava o mesmo de três diferentes maneiras, com intervalo de anos entre eles.) O Gui, que é ateu, concorda comigo quando eu digo que o intelectualismo aprendeu a negar tanto que acabou negando a beleza também. O Gui, que é ateu, diz que acredita no homem - e eu concordo que isso é mais difícil que acreditar em Deus.

Pois eu falava do Nehemias, que com as palavras de Einstein me fazia pensar nos budistas, para quem tudo é uma coisa só. Mas o "homem", ou sei lá quem, é individualista demais pra se saber pequeno, pra se saber beleza, pra se saber parte, pra se saber todo. E sem se saber, é muito mais difícil morrer. Jesus soube morrer.

Saudade do Nehemias...

segunda-feira, setembro 25, 2006

Cà com meus botões

Preciso não esquecer o que sei desde sempre: tudo é infinitamente mais fàcil, simples e natural do que minhas idéias sobre o que quer que seja.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Uma canção e um brinde aos encontros de beleza

Já experimentei diversas vezes: quando meu coração se enche, eu vazo. Quando tudo o que vejo é beleza, ela toma conta de mim, me provoca santa transfiguração, e salta pelos meus poros e olhos. Então, sou bela. Em dias assim, sei de sentir que beleza está em toda parte, me cabe estender a mão e colher. Todo mundo tem botãozinho, em algum canto da alma, que aciona mundos e pessoas, faz espalhar encantos, e é por isso que o universo sempre acaba recebendo esses respingos dos poros alheios, de beleza suada, transpirada.

Em Londres eu já confirmara que qualquer pessoa, independente de suas raízes e cultura, é sensível à essa beleza universal que faz bolha na pele. Várias vezes me pararam na rua. Em uma manhã ensolarada, de caminhada no Hyde Park, depois de já haver matado a curiosidade de bem uns três transeuntes em relação à minha origem, dois portugueses vieram na minha direção e, quando nos cruzamos, disseram: “você é do Brasil, não é?”. Cinco minutos de conversa e na despedida um curioso comentário: “você tem uma boa aura”.

Ontem, e também no dia anterior, eu era bela. Novamente as pessoas na rua, aqui em Amsterdam, suas palavras e sorrisos pra mim, atestavam o meu estado de espírito. Percebi isso primeiro no tram, no meu caminho da Centraal Station para a Museumplein, e depois no Vondel Park, aonde fui com o intuito de esvaziar um pouco a alma - sentar, pensar e talvez escrever - depois que saí do Museu do Van Gogh com sensações díspares, absolutamente complementares, na verdade: atordoada e cheia de vida, eu diria. E impregnada daquelas cores.

Enquanto eu escrevia algumas linhas, tentando adivinhar o que pensaria o holandês na minha frente, atado à grama por uma moribunda nesga de sol, vi que as pessoas que passavam me olhavam com uma curiosidade simpática. As velhinhas me lançavam sorrisos e olhares singelos e, percebi protegida pelas lentes dos meus óculos escuros!, o holandês atado à grama talvez também tentasse adivinhar o que eu pensava e escrevia, porque suas espiadelas discretas se seguiram mesmo depois que a nesga de sol se fora. Era um homem bonito – o que não costumo ver por aqui, discorde quem queira – e quando se levantou para ir embora, já sem sombra de nesga de sol na grama, como as velhinhas ele também me sorriu, o que me deixou desconsertada, mais ainda porque depois olhei pra trás e ele continuava me observando, e riu de verdade por flagrar o meu olhar curioso - denunciado, apesar das lentes dos meus óculos escuros.

Minutos após e um homem pediu licença para sentar do meu lado, com sua lata de cerveja e seu cigarro feito, no banco que eu ocupava inteiro sem cerimônia, porque eu estava exatamente no meio, com as pernas cruzadas, de índio (que nostalgia me provoca essa expressão da minha infância...). Abri espaço, ele puxou assunto e então falamos por uns 30 minutos. Era um homem inteligente, com uma visão de mundo interessante e crítica. Cumprimentou diversas pessoas enquanto estive ali e afirmava que Amsterdam não passava de uma vila. Ninguém parecia se importar com seus dedos amarelados de fumo, os dentes escurecidos e não exatamente apresentáveis, o sobretudo desalinhado, calça jeans suja, sapatos gastos e os cabelos loiros compridos desgranhados e ensebados. Tampouco eu me importei. Respondi amigavelmente à sua primeira frase, não julguei que fosse um bêbado sujo, mas admito que sua aparência me despertou uma certa curiosidade. Um cidadão de um país rico, cujo governo oferece tudo, boa educação, saúde, trabalho, e parece que há tempos ele perdeu o interesse por escovar os dentes.

Depois de me despedir com a desculpa de que já estava tarde, ainda me demorei caminhando no parque que escurecia às oito da noite, feliz porque o ambiente agora me parecia tão familiar, ao mesmo tempo que surpresa por tal constatação. Nos últimos dias tenho deixado a bicicleta de lado e optado pelas caminhadas. Percebo melhor a cidade assim, compreendo melhor as direções, sentidos e distâncias, e eu precisava disso pra me sentir mais em casa.

Saí do parque já noite, segui em direção à Leidseplein e tinha a intenção de caminhar mais, até a Centraal Station, onde tomaria o ônibus para Amsterdam Norte. O movimento da Leidseplein na noite de terça-feira me atraiu para as ruas adjacentes, perambulei um pouco e, quando eu já estava decidida a continuar meu percurso, dois homens na porta de um restaurante espanhol, onde um cartaz anunciava música ao vivo, me perguntaram se eu era brasileira. O gordo careca de óculos com cara de bonachão, um uruguaio que vive em Amsterdam há 24 anos, era o artista, o cantor do bar espanhol. O outro, o garçom, mineiríssimo, ficou feliz de receber uma compatriota e me trouxe uma cerveja sem que eu pedisse. Os dois me convidaram para experimentar o camarãozinho frito especialidade da casa, preparado pelo jovem espanhol Josesito, e conversar um pouco, esperançosos, segundo me disseram, de que a presença brasileira alegraria o ambiente tedioso que estivera vazio, sem clientes o dia inteiro. Aprendizado da viagem à Israel: latinos costumam se alegrar com esses encontros em países de cultura tão diferente, percebem essa irmandade, tão óbvia e tão invisível quando estamos enclausurados em nossas “fronteiras fictícias”, para usar as palavras do comandante Che.

Minutos de conversa animada na parte de fora do restaurante, perto da rua; eu inicialmente vacilante com o meu espanhol adormecido, mas pouco depois já muito confortável com o meu amigo uruguaio, que estava à toa por ausência de platéia. Logo, com tantos turistas passando, e talvez nos olhando com aquela mesma curiosidade que eu observara no Vondel Park horas antes, o uruguaio começou a chamar os que passavam, e com isso os cativava, e o restaurante foi ficando mais cheio. Primeiro o grupo das Filipinas, depois o casal de ingleses, e então todas aquelas senhoras da Lituânia. O meu amigo uruguaio, Kiko, já revigorado, reassumiu seu posto de artista e, com o seu violão, fazia graça para o público, que não entendia suas palavras castellanas. Kiko improvisava canções, cantava como repentista, falava da nova amiga brasileira sentada no lado de fora. Agradava aos clientes, apesar do fato de que estes pediam canções que ele nunca sabia tocar.

Certa hora, ele anunciou minha presença em inglês e disse que a brasileira cantaria uma música. Não recuei: me aproximei e, para a surpresa de Kiko, ainda peguei o violão, muito nervosa, por tocar muito mal e não lembrar de nada de cabeça. "Certas histórias não podem ser perdidas", pensei. Josesito abriu um sorriso e me trouxe mais uma cerveja. Ele e o mineiro não deixaram meu copo vazio, era o sexto ou sétimo chope, de acordo com os meus cálculos entorpecidos. E então, pra completar, entraram duas paulistas no restaurante e se dispuseram a fazer coro comigo. Respirei fundo e disse à minha platéia que levaria a versão brasileira de “No woman, no cry”, do ilustríssimo ministro da cultura Gilberto Gil. E assim fiz... Meu amigo uruguaio se empolgou, um americano na porta reconheceu a melodia e se aproximou. No final, aplausos da platéia, restrita mas satisfeita, que pediu bis. O americano elogiou a minha voz e eu gargalhei por dentro. As duas paulistas pareciam não acreditar. Sim, compartilhamos um momento inusitado e inesquecível.

Hora de ir embora, pedi a conta, no que Kiko e Josesito rebateram: "Que conta, brasileña? Você foi nossa convidada. E ainda cantou!". Minha voz rouca e os dedos desajeitados nas cordas do violão me garantiram o petisco e muita cerveja de graça. Ainda mais essa...

Me despedi de Kiko, de Josesito e do mineiro, e aceitei o convite empolgado das meninas para acompanhá-las no bar que fica logo em frente, o Bourbon Street. Não me demorei, apesar da música boa, da bandinha bacana tocando rock. Um paulista, amigo delas, depois de ouvir os relatos da noite, lamentou por não ter presenciado o espetáculo de minutos antes e disse que eu tinha uma "energia boa, uma espontaneidade bonita e um brilho diferente nos olhos".

Esperando o ônibus na estação, repassei a noite feliz na minha cabeça, que terminou só depois de uma derradeira conversa: com o motorista do Suriname que me contou histórias sobre o seu país, falou da vida em Asmterdam, onde mora há 30 anos, e dos planos de voltar para a terra nos trópicos, vizinha tão desconhecida pra mim. Às quase três da manhã cheguei ao meu destino, ele me agradeceu pelo papo da madrugada e se despediu contando que saiu de casa com um sensação boa que agora se explicava: “eu sabia que ia te encontrar”.

Amém para todos os encontros que se dão nesse universo cheio de beleza.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Aprendendo a embrulhar o presente

Tinha a intenção de relatar meus dias em detalhes; viver o hoje de cada minuto, processar sensações e depois passá-las adiante com o meu embrulho colorido de palavras (embalagem conta muito, dá personalidade ao que tem dentro). Desisti da idéia porque percebi que precisava encontrar a embalagem adequada para o produto resultante da matéria-prima que ainda processo mal. Meus dizeres-invólucro servem mais para o que está posto há certo tempo do que para o que acaba de me ser apresentado. Nenhuma novidade. Sempre admiti isso.

segunda-feira, agosto 07, 2006

First Impressions of London – primeira página do meu diário de bordo

Não perdi mais que cinco minutos na imigração. Chegar na Europa por Londres costuma ser sacal, dizem, mas o inglês bem falado, modéstia às favas, pesou a meu favor. Por conta do cancelamento do meu vôo pra Londres pela KLM, tive que fazer outro check in no aeroporto de Amsterdã. Como se já não bastasse a minha ponte aérea louca - não mais pela Varig como eu, otimista, até dias antes achei que seria. Assim: saída do Rio pelo Santos Dumont (que de nove às onze da manhã permaneceu fechado para pousos e decolagens por conta do mau tempo), chegada em São Paulo por Congonhas, traslado até Guarulhos e, finalmente, Amsterdã, onde, como eu disse, precisei esperar o vôo seguinte, que sairia uma hora depois do previsto.

A Déia me aguardava no Aeroporto de Heathrow. A gente se abraçou do mesmo jeito de sempre, como se os meses de distância não tivessem sido cinco e o tempo de viagem não fosse um oceano. Como se estivéssemos no Galeão de tantas vezes.

Já na estação do metrô, não vendo lixeiras por perto perguntei a um funcionário onde eu poderia encontrar uma. Ele tomou o papel da minha mão e disse que jogaria fora pra mim, pois ali não havia mesmo lixeiras. “Medo de bombas”, me explicou. Welcome to London…

Como eram apenas 5 da tarde, não dormi. Saí pra dar uma volta e, na primeira noite londrina, com direito a gig de grupo desconhecido com vocalista mulher, pensei que preciso começar as aulas de canto assim que retornar ao Brasil, pra concretizar a idéia de formar uma bandinha com o Lu e o Zé Guilherme. Vai ser divertido...

Na sexta-feira, o Dolpho passou pra me buscar. Demos uma volta em Brick Lane, que já se tornou o meu lugar favorito aqui. Concordo com a Déia: é a Lapa de Londres. Lá passei também a noite feliz de sábado, com conversa boa, muitos risos, pessoas bacanas e suor na pista de dança do Vibe Bar. Recomendo.

Amanhã é dia de um reencontro pra lá de esperado. Os meus três amigos ingleses, com quem compartilhei tanta história de meses em Israel e no Egito, chegam amanhã em Londres para se encontrar comigo (nenhum deles vive na cidade atualmente, apesar de um ser londrino). A última vez que nos vimos foi há seis anos atrás. Durante todo esse tempo pensamos em muitos lugares mundo afora para um possível reencontro. Londres, curiosamente, nunca esteve em nossos planos. Que vida mais cheia de surpresas...